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Conto*: A História do Rato Saltador

Era uma vez um jovem rato que vivia em uma floresta perto do grande rio. Durante o dia, ele e outros ratos caçavam por comida. À noite, eles se reuniam para ouvir os antigos contarem histórias. O jovem rato gostava de ouvir sobre o deserto além do rio, e sentia calafrios com as perigosas sombras que viviam no céu. Mas seu favorito era o conto da Terra bem distante.

A Terra bem distante parecia tão maravilhosa que o jovem rato começou a sonhar sobre ela. Ele sabia que nunca estaria satisfeito até que estivesse lá. Os antigos o avisaram de que a jornada seria longa e perigosa, mas o jovem rato não se deixou abalar. Ele partiu certa manhã, antes de o sol nascer.

Já era tarde quando ele alcançou a saída da floresta. Em sua frente estava o rio; do outro lado, o deserto. O jovem rato encarou as águas profundas. “Como conseguirei atravessar?” ele disse, decepcionado.

“Você não sabe nadar?” gritou uma voz grave. O jovem rato olhou ao redor e viu um pequeno sapo verde. “Oi”, ele disse. “O que é nadar?”.

“Isso é nadar”, disse o sapo, e pulou para dentro do rio.

“Ah”, disse o jovem rato, “Eu não acho que eu consiga fazer isso”.

“Porque você precisa atravessar o rio?” perguntou o sapo, saltando de volta para a margem.

“Eu quero ir para a terra bem distante”, disse o jovem rato. “ Parece que lá é lindo demais para eu viver minha vida inteira sem nunca ir lá”.

Ilustração feita por membro do Centros Etievan e inspirada no conto "O Rato Saltador".


“Nesse caso, você precisa de minha ajuda. Eu sou o Sapo Mágico. Quem é você?”

“Eu sou um rato” disse o jovem rato.

O Sapo Mágico gargalhou. “Isso não é um nome! Eu vou te dar um nome que irá ajudá-lo na sua jornada. Eu o nomeio: Rato Saltador”.

Assim que o Sapo Mágico disse isso, o jovem rato sentiu um estranho formigamento nas suas patas traseiras. Ele deu um pequeno salto, e para sua surpresa, pulou duas vezes mais alto do que jamais havia pulado antes. “Obrigado!”, ele disse, admirando suas novas e poderosas patas.

“Não há de quê", disse o Sapo Mágico. “Agora, pule até essa folha e nós vamos atravessar o rio juntos”.

Quando eles estavam seguros do outro lado, o Sapo Mágico disse, “Você encontrará dificuldades no seu caminho, mas não se desespere. Você alcançará a terra bem distante se mantiver a esperança viva dentro de você”.

O Rato Saltador partiu de uma vez, saltando rapidamente de um arbusto a outro. As sombras circulavam acima, mas ele evitou ser visto. Ele comia frutas quando as encontrava e dormia somente quando estava exausto. Dias se passaram. Apesar de ele estar viajando rápido, ele começou a se perguntar se conseguiria alcançar o outro lado do deserto. Ele, então, se deparou com um riacho que corria pelas terras secas. Debaixo de um grande arbusto frutífero, ele encontrou um rato velho e preguiçoso.

“Que pernas traseiras estranhas você tem”, disse o rato preguiçoso.


“Elas foram um presente do Sapo Mágico quando ele me nomeou”, disse o Rato Saltador orgulhosamente.

“Pfff” bufou o rato preguiçoso. “Para quê elas servem?”

“Elas me ajudaram a chegar até aqui através do deserto, e com sorte elas me levarão até a terra bem distante” disse o Sapo Saltador. “Mas agora eu estou muito cansado. Posso repousar aqui por um tempo?”

“Certamente pode”, disse o rato gordo. “Na verdade, você pode ficar para sempre”.

“Obrigado, mas eu ficarei somente até eu descansar. Eu vi a terra bem distante em meus sonhos e eu preciso seguir meu rumo o quanto antes.”

“Sonhos”, disse o rato preguiçoso com desprezo. “Eu costumava ter sonhos assim, mas o que eu sempre encontrei foi deserto. Porque sair pulando pelo deserto quando tudo o que precisamos está bem aqui?”.

O Rato Saltador tentou explicar que não era uma questão de precisar, mas algo que ele sentia que tinha que fazer. Mas o rato preguiçoso somente bufou mais uma v


ez. Por fim, o Rato Saltador cavou um buraco e se acomodou para dormir.

No dia seguinte o rato preguiçoso o avisou que ficasse deste lado do riacho. “Uma cobra vive do outro lado”, ele disse. “Mas não se preocupe, ela tem medo de água, então ela nunca irá atravessar o riacho”.

A vida era fácil debaixo do arbusto de frutas, e o Rato Saltitante estava logo descansado e forte. Ele e o rato preguiçoso comeram e dormiram e dormiram e comeram. Até que uma manhã, quando ele foi até o riacho beber água, ele vislumbrou seu reflexo. Ele estava quase tão preguiçoso quanto o rato velho e preguiçoso!

É hora de eu seguir adiante”, pensou o Rato Saltador. “Eu não vim até aqui para me acomodar debaixo de um arbusto”.

Neste momento ele percebeu que um tronco ficou preso na margem do rio. Ele ultrapassava a água como uma ponte – agora a cobra podia atravessar! O Rato Saltador se apressou de volta para avisar o rato preguiçoso. Mas sua toca estava vazia, e havia um cheiro estranho no ar. Cobra. O Rato Saltador chegara tarde demais. “Pobre velho amigo”, ele pensou enquanto fugia. “Ele perdeu a esperança de encontrar seus sonhos e agora sua vida acabou”.

O Sapo Saltador viajou durante a noite e na manhã seguinte ele viu que alcançara as pradarias. Exausto, ele saltou em direção a uma grande rocha onde ele poderia descansar em segurança.

Atividade da Escola de Artes & Ofícios inspirada

no conto, na EMEI Prof. Alexandre Correia - SP.


Mas conforme ele chegava mais perto, ele percebeu que a rocha era um enorme descabelado bisão deitado na grama. De vez em quando ele gemia.

O Rato Saltador teve arrepios ao ouvir o som terrível. “Olá, grandão”, disse bravamente. “Eu sou o Rato Saltador e estou viajando para a terra bem distante. Porque você está deitado aqui como se estivesse morrendo?”

“Porque eu estou morrendo”, disse o bisão. “Eu bebi de um riacho envenenado, e isso me cegou. Eu não posso ver para encontrar grama fresca para comer ou água doce para beber. Eu morrerei, certamente”.

O Rato Saltitante estava triste de ver um animal tão imponente tão indefeso. “Quando eu comecei minha jornada”, ele disse, “O Sapo Mágico me deu um nome e pernas fortes para me levar até a terra bem distante. Minha magia não é tão poderosa quanto à dele, mas eu farei o que posso para ajuda-lo. Eu o nomeio Olhos-de-rato”.

Assim que terminou de falar o Rato Saltador ouviu o bisão bufar de alegria. Ele ouviu, mas não podia mais ver, já que deu sua própria visão ao bisão.

“Obrigado”, disse Olhos-de-rato. “Você é pequeno, mas fez algo muito grande. Se você saltar ao meu lado, as sombras do céu não o verão, e eu lhe guiarei até as montanhas.”

O Rato Saltador fez conforme o combinado. Ele pulou ao ritmo das passadas do bisão, e dessa forma alcançou o pé das montanhas.

“Eu sou um animal das pradarias, então devo parar aqui”, disse Olhos-de-rato. “Como você atravessará as montanhas se não pode enxergar?”

Atividade de Teatro inspirada no conto "O Rato Saltador", realizada

por educadores do Centros Etievan na escola EMEI Prof. Alexandre Correia - SP.


“Haverá alguma maneira”, disse o Rato Saltador. “A esperança está viva em mim.” Ele se despediu de seu amigo; então cavou um buraco e foi dormir.

Na manhã seguinte, o Rato Sa ltador acordou com a brisa fria que soprava do pico da montanha para baixo. Cuidadosamente ele partiu em direção da friagem. Ele não tinha ido muito longe quando sentiu pêlos por debaixo de suas patas. Ele pulou para trás alarmado e cheirou o ar. Lobo! Ele paralisou de medo, mas dado que nada aconteceu, reuniu sua coragem e disse: “Com licença, eu sou o Rato Saltador e estou viajando para a terra bem distante. Você pode me dizer o caminho?”.

“Eu diria se pudesse”, disse o lobo, “Mas um lobo encontra o caminho com o seu nariz, e o meu não vai nunca mais cheirar para mim”.

“O que aconteceu?”, perguntou o Rato Saltador.

“Eu fui uma criatura muito orgulhosa e preguiçosa”, respondeu o lobo. “Eu usei mal o meu dom de cheirar, então o perdi. Já aprendi a não ser orgulhoso, mas sem o meu nariz para me dizer onde estou e para onde vou, não posso sobreviver. Estou deitado aqui esperando pelo fim chegar.”

O Rato Saltador estava entristecido pela história do lobo. Ele o contou sobre o Sapo Mágico e sobre Olhos-de-rato. “Ainda me resta alguma mágica”, ele disse. “Ficarei feliz de ajuda-lo. Eu o nomeio Nariz-de-rato.”

O lobo uivou de alegria. O Rato Saltador podia ouvi-lo cheirando o ar, respirando as fragrâncias da montanha. Mas o Rato Saltador não podia mais sentir o aroma de pinheiro que vinha pelo vento. Ele não podia mais usar seu nariz nem seus olhos. “Você não passa de uma pequena criatura”, disse Nariz-de-rato, “mas você me deu um grande presente. Deixe-me te agradecer. Venha, salte ao meu lado, onde as sombras não poderão te ver. Eu o guiarei pelas montanhas até a terra bem distante”.

Então o Rato Saltador saltou ao ritmo das patas macias de lobo, e dessa forma alcançou a terra bem distante.

“Eu sou um animal das montanhas, então devo parar aqui”, disse Nariz-de-rato. “Como você conseguirá seguir se não pode mais ver nem cheirar?”

“Haverá algum jeito”, disse o Rato Saltador. Ele então disse adeus ao seu amigo, cavou um buraco e foi dormir.

Na manhã seguinte, o Rato Saltador acordou e engatinhou para fora de seu buraco. “Eu estou aqui”, ele disse. “Eu sinto a terra sob minhas patas. Eu escuto o vento farfalhar as folhas das árvores. O sol esquenta meus ossos. Nem tudo está perdido, mas eu nunca serei como antes. Como conseguirei?”. Então o Rato Saltador começou a chorar.

“Rato Saltador”, ele ouviu uma voz grave dizer.

“Sapo Mágico, é você?” O Rato Saltador perguntou, engolindo suas lágrimas.

“Sim”, disse o sapo Mágico. “Não chore, Rato Saltador. Seu espírito generoso lhe trouxe grande dificuldade, mas esse mesmo espírito de esperança e compaixão foi o que o trouxe para a terra bem distante.

Você não tem o que temer, Rato Saltador.”.

“Salte bem alto, Rato Saltador”, ordenou o Sapo Mágico.

“Você agora se chamará Águia, ...

...e você viverá na Terra bem distante para sempre.”


*História tradicional dos índios norte-americanos Sioux,

utilizada em nossas Oficinas de Artes do Programa

de Voluntariado do Centros Etievan.

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